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O PEDREIRO E O POETA

O Pedreiro e o Poeta

Barata Cichetto
1958
Pois saibam todos que também eu sou um trabalhador braçal
Também construo paredes onde antes era apenas um lodaçal
Igual a meu pai pedreiro de ofício também sou carpinteiro
Mas sou também peão de obras, de obras humanas empreiteiro.

Pedra sobre pedra, tijolo por tijolo, com seu paciente ofício
O pedreiro, poeta de mãos calejadas, constrói até um edifício
Letra por letra também o poeta, pedreiro de mãos machucadas
Constrói prédios que pelos tolos são derrubados a machadadas.

Sou apenas um pedreiro, pedreiro de letras, de rimas construtor
Construo casas de letras, de obras não sou mestre ou instrutor
Ergo paredes, construo tetos, coloco pisos, rejunto o ladrilho
Sou apenas pedreiro não sou arquiteto, sou reflexo e não brilho.

A forma e o concreto, ferros entrelaçados, ligados pelo cimento
Com força e jeito paredes são rebocadas e pintadas com pigmento
Por último portas caiadas por onde entram e saem doces meninas
E janelas que deixarão o sol entrar quando abertas as cortinas.

Sou pedreiro, mas fracas são todas as minhas obras
Feitas de restos de demolição, apenas restos e sobras.
Em Rocha sólida um lar eu tentei com garras fincar
Mas ele desabou antes mesmo de eu começar a brincar.

Apenas pedreiros e poetas a burrice do tijolo conseguem enxergar
Há pessoas que sabem apenas quebrar pedras outras as carregar
Pedreiros as quebram, quase todos as carregam com desgosto
Mas aos poetas cumprem a parte de as terem lançadas no rosto.
25/9/2006

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Registro no E.D.A. da F.B.N. : 505.851 - Livro 958 - Folha 97

1 - "Leve Um Homem Ao Matadouro..." 11/2/2002

1958 25/6/2004

2 - "...O Que Berrar na Hora da Faca é o Homem..." 11/2/2002

3 - "...Mesmo Que Seja o Boi!" 11/2/2002

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