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BAR ESPERANÇA, O ÚLTIMO QUE FECHA

Bar Esperança, o Último Que Fecha

Barata Cichetto
A Verdadeira História da Betty Boop
1. Eu que cantei com ardor antigas cantigas de lutas
Que amei com paixão belas amigas, deusas e putas
Agora trago em meu rosto e meu corpo profundas marcas doloridas
Marcas que penetram profundamente em minhas carnes coloridas
Dentes podres, alma cariada, pus em meu sentimento
Eu, que sempre o pus acima da dor e do sentimento.

2. Tenho um dor que quer explodir igual a uma represa
Preciso conter a dor porque a explosão é uma surpresa
Sim , preciso implodir a dor dentro de mim
Depois catar o entulho que sobrou até o fim
Pedaços toscos de meu cérebro, fibras, sangue e minh'alma
Recolhidos pelos cantos da cidade que agora não tem calma.

3. Porque agora o que sobrou de meu sonho de paixão
Foram apenas cacos que cabem em uma urna ou caixão
Pobres e podres pedaços de um homem muito apaixonado
Que nunca enxergou que a brisa era apenas um tornado
Um desses seres tolos toscos que buscam em sua companheira
Coisas maiores que não cabem sob um lençol ou numa banheira.

4. Um quarto escuro, um caixão de flores fedorentas adornado
Não, não quero a solidão nem o enterro quero ser cremado
Porque apenas as chamas podem aplacar o que eu sinto
Chamas que ressecam e queimam o meu sangue tinto
Acredito que apenas assim cessará a maldição de sangue ruim
Que cercou a minha existência do seu principio até o meu fim.

5. A poesia não é uma mulher, portanto eu não a desejo
Ela não é Betty, triste minha poesia, errado meu beijo
Resta apenas noites de solidão até o fim, o fim do mundo
Lamentos e gemidos em um quarto mofado e imundo
Em seu leito trarás outros amantes, enquanto apenas a morte
Mostrará a mim sua cara de tesão, apenas ela, minha consorte.

6. A Esperança era a última coisa que poderia falecer
Mas sepultada Esperança, sem o tesão a desfalecer
O que resta a mim é apenas e por coincidência macabra
A solidão que berra dentro de mim igual a uma cabra
Berra, maldita, urra de tesão porque agora lhe pertenço
Goza, querida, porque á paixão eu paguei o meu preço.
18/9/2005

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Registro no E.D.A. da F.B.N. : 508.830 - Livro 964 - Folha 118

1 - "Leve Um Homem Ao Matadouro..." 11/2/2002

1958 25/6/2004

2 - "...O Que Berrar na Hora da Faca é o Homem..." 11/2/2002

3 - "...Mesmo Que Seja o Boi!" 11/2/2002

A Aranha (Trecho) 1/9/1980

A Artesã e O Poeta 11/9/2008

A Balada de Izabel Cristina 28/12/2013

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À Beira da Morte 11/11/2006

A Bunda da Minha Amada 1/3/1998

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A Noite dos Desesperados 20/9/2004

A Paciência dos Anjos e As Flores da Macedônia 21/9/2009

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Aborto 11/11/2009

Acaso Eu Morra Amanhã 9/1/2006

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Ácida Cida 1/10/2000

 


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