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MORTA

Morta

Barata Cichetto
Impessoal e Transferível
Porque não sangras até a morte diante de mim
Que eu chorarei por sua alma em seu triste fim
Mulher, quanto a desejei, morta dentro do túmulo
Até mesmo lhe fazer amor ali, cheguei ao cúmulo
Porque morta ou viva, pouco mesmo importa, se as tuas ancas
Não mais se mexem a não ser quando bufas feito as potrancas?

Que curioso pensamento agora assalta minha a mente oca
Sabe, os poetas são poucos sábios, sabes disso minha louca
Porque não deixas esse corpo a outra que pense em delícias
Que aja como puta, vadia, que aceite meus gozos e sevícias
Ou melhor, porque não deixas dormir teus sonhos perversos
Enquanto seu corpo se delicia com meu corpo e meus versos?

Sabes quantos versos escrevi com o sangue retirado do peito
Conheces quantas vezes escrevi com o esperma em meu leito
Sabes quantas fantasias eu deixei de viver por sua realidade
Quantas mentiras em teu nome eu transformei em verdade
Sim, quantos pensamentos mundanos deixei de ter diariamente
Apenas para pensar que apenas tua era a minha oca mente ?

Agora chega, mundana sem vícios, agora chega de algemas
Presas a tuas vaidades. Quero a liberdade sem estratagemas
Teu desejo nunca a mim pertenceu, pois aprisionado numa igreja
Ele vagueia pelos campos e parques em busca daquilo que deseja
Nunca me pertenceu teu prazer, falsos eram teus gemidos 
Quanto falsos eram também todos os teus pecados remidos.

Claro que por um homem esquálido e esquelético, sem atributos
Tua alma vaidosa e gananciosa não teria desejo, apenas os putos
Um homem rude, ignorante não é páreo aqueles que de calção
Alimentam a sua vaidade e te fazem esquecer a sua frustração.

Quanto a desejei encostado em seu corpo em noites geladas
Depois masturbava meu pênis sonhando com ninfas peladas
Sim, quanto eu a desejei em noites de insônia e solidão sem fim
Pra depois curar meus desejos eróticos em garrafas de botequim
Mataste em mim o desejo, mataste a vida, mataste minha paixão
Agora meu último desejo é possuir seu corpo, morta num caixão.
17/2/2002

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Registro no E.D.A. da F.B.N. : 508.830 - Livro 964 - Folha 118

1 - "Leve Um Homem Ao Matadouro..." 11/2/2002

1958 25/6/2004

2 - "...O Que Berrar na Hora da Faca é o Homem..." 11/2/2002

3 - "...Mesmo Que Seja o Boi!" 11/2/2002

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