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Todos os textos e poemas publicados em A Barata, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, registrados no Escritório de Direitos Autorais. Proibida a cópia e uso sem autorização do legítimo proprietário, sob as penas da Lei.

A NOITE DA ÚLTIMA SORTE

A Noite da Última Sorte

Barata Cichetto
Sangue de Barata
Aquela era uma noite muito calma até um certo ponto
O porque dessa mudança, ao entardecer eu lhe conto
Então toda cachorrada começou a ladrar esganiçada
E as ladras pararam diante da fechadura enguiçada.

Mulheres que gemiam de paixão agora estão gemendo de dor
Santos deixam correndo seus altares, correndo com seu andor
Putas gritam nas portas dos bares cheios de bêbados imundos
Com sua bebedeira curada e bichas escapam dos submundos.

Bombeiros não conseguem conter das chamas as torrentes
E os loucos fogem do hospício arrastando as suas correntes
Tiros saem das armas sem que nenhum dedo aperte o gatilho
Crianças choram sem suas mães, choram o padre e o caudilho.

Desespero e dor em uma noite que era até certo ponto calma
Sangue, tiros e gemidos tudo aquilo que encanta minha alma
Chegou a hora da minha ira, chegou a hora da minha vingança
Pagarão todos que nunca dançaram conforme a minha dança.

O padre de joelhos implora por sua misericórdia, crente o tolo
Que seu papel foi cumprido á risca, mas é cheio de culpa e dolo
Ao brindar seu deus, com o sangue do barril e a hóstia de pão
Ele apenas assinou sua sentença de morte da alma feito cão.

Sirenes das ambulâncias e dos carros de polícia pelas sujas ruas
Procuram cumprir o papel, enquanto uma criança de pernas nuas
Chora sozinha com o cano da arma em sua boca de podres dentes
Cheira droga, espeta e não entende porque existem tantos doentes.

Enxurradas de sangue agora cobrem as sarjetas, leito dos pobres
Não há salvação, não há perdão, não existem ricos nem nobres
Apenas muita dor, uma dor muito mais profunda que a dor de parto
Com visceras espalhas pelas calçadas, tripas nas janelas do quarto.

Um batalhão de malditos caminha por entre as esquinas da praça
Longe de sua maldição cientes de sua dor, crentes de sua desgraça
Cantam, dançam, pulam e gritam. Alguns escrevem poemas tortos
Outros ainda apenas saem correndo atrás das sujas putas dos portos.

Loucos, drogados, putas e bichas, todos os excluídos agora riem alto
Presos abrem suas celas e são roubados de sua existência num salto
Presidentes de repúblicas e reis esperam que alguém os escutem
Mas são martelos e pauladas, que em suas cabeças repercutem.

O mar invade as cidades e o fogo toma seu lugar no leito dos oceanos
Agora não existem nações, nem povos, brasileiros, índios e americanos
A única nação é a do desespero, o único povo é o medo e o rei está nu 
Fedem os limpos, cheiram os porcos e os padres enfiam a hóstia no cu.

Virgens transam enlouquecidas com cachorros, gatos e lagartixas
Transam os cornos, chupam as putas que loucas comem as bichas
Padres, pastores e rabinos se enrabam em cima do púlpito da igreja
Freiras e obreiras se chupam enfiando na buceta garrafas de cerveja.

Irrompe um estranho brilho perverso nos olhos de todos os cegos
E os crucificados arrancam das mãos sangrentas os últimos pregos
Mulheres beatas mijam sobre estátuas de santos, defecam no altar
Certas de que naquele momento, o seu adorado deus irá lhes faltar.

Filhos e mães transam pois não existem mais pecados a serem perdoados
Loucos lambem as feridas dos cachorros que comem os gatos atordoados
Ao longe a canção de uma ninfa loira é escutada até mesmo pelos surdos
Uma canção triste, um hino á nobreza dos americanos, turcos e dos curdos.

Porque agora com minha harpa eu canto o canto da morte total
Sem paraíso, sem céu, sem nada de esperança, um corte letal
Morte total sem julgamento, sem santos, sem deuses a perdoar
Uma morte sem anjos que já não podem nas asas lhe pendurar.

Pobres seres escrotos! Acreditaram na dor como sua redenção
Acreditaram no céu como de um metrô a última, final estação
E aquela noite que então era calma agora é a noite da ultima sorte
Já não ladram os cachorros e o silêncio reina quieto como a morte.
3/12/2002

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Registro no E.D.A. da F.B.N. : 505.850 - Livro 958 - Folha 96

1 - "Leve Um Homem Ao Matadouro..." 11/2/2002

1958 25/6/2004

2 - "...O Que Berrar na Hora da Faca é o Homem..." 11/2/2002

3 - "...Mesmo Que Seja o Boi!" 11/2/2002

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