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Todos os textos e poemas publicados em A Barata, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, registrados no Escritório de Direitos Autorais. Proibida a cópia e uso sem autorização do legítimo proprietário, sob as penas da Lei.

UMA BARATA QUE NÃO MORREU

Uma Barata Que Não Morreu

Barata Cichetto
Sangue de Barata
Esmaguem minha cabeça, rasguem meus poemas ridículos
Prendam meus braços, amarrem meu saco, meus testículos
Mas nunca esmagarão meus sonhos nem meus desejos
Porque os meus sonhos são mais doces que seus beijos
Meus sonhos de Barata são mais quentes que a sua perna
E a minha vontade de sonhar nunca morre porque eterna.

Esmaguem minha garganta, cortem fora minha língua
Mas eu nunca, jamais irei morrer na sarjeta a mingua
Cortem fora minha cabeça, atirem-na ao porco imundo
Que mesmo assim ainda gritarei pelos cantos do mundo
Gritarei com meus pulmões cheios de fumaça de cigarro
E por herança lhes deixarei o meu nojo e o meu escarro.

Dinheiro não é maldito, maldito é aquele quem o possui
E cujo caráter é falho e podre, aquele que - se - prostitui
Financiar meus sonhos, quem se a de habilitar há
E morar em casa de favela, quem há de habitar a
Minha herança é meu nojo, o feudo o terreno da indecência
E minha divida eterna perante a minha própria consciência.

Deixem meu sonho morrer igual a uma criança nas ruas escuras
Permitam sim, morrer sua esperança igual a boas putas obscuras
Corram que o tempo nunca irá parar, que a morte corre e te corrói
Igual a sua ferida a minha dor sangra e a sangria ainda muito dói
Sintam a minta mão gelada pousada em seu crânio gelado e triste
Porque a minha morte ao seu ditador ontem a noite alegre pediste.

Sou uma barat'A sem cabeça, uma cabeça sem um'A Barata...
Uma semana sem comer por falta de boca, de cabeça chata
"As baratas não rastejam, é apenas seu jeito de caminhar", a frase
Jamais irei rastejar, rastejar é para humanos e sua pobre catarse
A Barata morre mas não seu sonho, A Barata morre, mas não eu
Morre o que me julgou, me matou, morre aquele que me fudeu.

Que morra a morte em mim, morra em mim a morte certa
Morra em mim o sonho, que morra o sonho que me aperta
Não! Viva em mim o sonho, que esteja vivo enquanto eu viva
Que o dia em que os sonhos a meus pesadelos não sobreviva
Eu caia duro e seco igual um'A Barata, a morte por inanição
Porque a vida eu trai, a vida eu condenei a sua prostituição.
19/4/2002

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Registro no E.D.A. da F.B.N. : 505.850 - Livro 958 - Folha 96

1 - "Leve Um Homem Ao Matadouro..." 11/2/2002

1958 25/6/2004

2 - "...O Que Berrar na Hora da Faca é o Homem..." 11/2/2002

3 - "...Mesmo Que Seja o Boi!" 11/2/2002

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