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POESIA BARATA

Poesia Barata

Barata Cichetto
Sangue de Barata
Falar em forma de poesia, gritar o poema
Um coração sem rimas, alma sem métrica
Caixa craniana doendo, dedos sangrando
Pingando pus nojento, cheiro de morte
Sangue bombeado do coração ao cérebro
Chagas profundas abertas em putrefação
O poeta é a mãe das almas, não das armas
Filho da discórdia, do tédio e da amargura
Parido entre dores, retirado a ferros
Do útero sangrento da mãe da incompreensão
Portanto, amigo, ser poeta é ser humano
Ser humano, ser poeta, ser poeta humano
Ser humano poeta, um ser nojento
E um tanto sequioso de sofrimento
Que ama a dor acima até da paixão
A paixão pela dor, paixão e caixão
E o caixão em cima da cama desfeita
Em cima da mesa, um copo de bebida
Embaixo da cama um pinico cheio de urina
Um ser com a alma exposta ao relento
Do avesso, como vísceras de um rebento
Pingando sangue de tinta de caneta
Porque o poeta é apenas um ser humano
Enquanto um poeta pode ser humano
Mas morto em vida, vivo em morte
Creme de cebolas no café da manhã
Ou cérebro de gnomo ao entardecer
Quantas linhas tem um poema, letras
Apenas letras amontoadas, amigo.
Poesia é inútil, inútil pranto
Inútil jeito de falar de paixão
Fútil peito apodrecendo no caixão
Mas, entretanto o poeta é igual barata
Ou a barata é que é igual poeta
Com suas patas estranhas que espetam
Uma enorme cabeça com antenas
E o asco que causa á uma raça
Formado de seres humanos hipócritas
E a minha poesi'abarata acaba agora
Porque acabou a tinta da minha caneta.
25/4/2001

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Registro no E.D.A. da F.B.N. : 505.850 - Livro 958 - Folha 96

1 - "Leve Um Homem Ao Matadouro..." 11/2/2002

1958 25/6/2004

2 - "...O Que Berrar na Hora da Faca é o Homem..." 11/2/2002

3 - "...Mesmo Que Seja o Boi!" 11/2/2002

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