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Márcio Baraldi

 

 

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A Beleza. Sempre Ela...
Prof. Gozzo
fabiano.gozzo@gmail.com

“Eis a leviandade com que o mundo age”, disse Scrooge. “Não há nele coisa mais insuportável do que a pobreza, e no entanto, não há nada que ele finja condenar mais severamente quanto a busca da riqueza.”

A frase acima, falda pelo personagem Ebenezer Scrooge, do livro “Um conto de Natal” de Charles Dickens, serve bem para dar o tom da coluna desta semana. Aliás, se a gente brincasse um pouquinho com as palavras, podemos ler o seguinte: Eis a leviandade com que o mundo age. Não há nele coisa mais insuportável do que a feiúra, e no entanto, não há nada que ele finja condenar mais severamente quanto a busca da beleza.

Recentemente, escrevi uma coluna falando de beleza. Fazia tempo que não recebia tantos e-mails. Uns concordavam. Outros, pareciam a sagrada inquisição caçando um herege.

OK, sou herege, mas esse lance de fogueira já está meio fora de moda.

Por falar em moda, os conceitos de beleza mudam de acordo com a época. Assim como nossa vã filosofia e a nossa sagrada moral. Um exemplo prático é o dos tempos bíblicos, em que esse lance de incesto era até bem comunzinho. Se a mulher não dava um filho homem ao senhor da casa, uma escrava teria que fazer trabalho extra. Se não houvesse nenhuma escrava por perto, bem, a filha mais velha provavelmente teria que dar ao papai um filho homem. Era costume. Era moral.

Uns mil anos depois, surgiu a civilização Celta. Para eles, se fosse bonitão, forte, corajoso e viril, podia ser pai, tio ou irmão. Caiu na rede é peixe. A mesma regra se aplicava facilmente a irmãs, tias, noras e até mamães. Puxa, como eram bárbaros! Aliás, achei o lance realmente bárbaro!

Do mesmo modo que mudam os valores morais, os valores estéticos trocam de lugar tão rápido quanto a calça boca de sino. Moda nos anos setenta, brega até o começo dos noventa e agora, com pequenos ajustes, é um sucesso de novo. E nossas queridas mulheres, então? Na antiguidade, eram magras, toscas, de mãos e pele ásperas. O cosmético mais comum era banha de animais para dar um brilho à pele. Na época da renascença, as divas eram bem diferentes das magrinhas de hoje. Eram mesmo bem fofas. É só lembrar da “Mona Lisa”, o “Nascimento de Vênus” e tantas estátuas e quadros de mulheres que hoje, não subiriam numa passarela nem pagando bem.

E o que tanta coisa tem a ver com beleza?
Beleza ainda é essencial. Ser bonito é um aviso. Tenho ótimos genes para transmitir aos descendentes. E afinal, por mais que se diga que o ser humano é inteligente, ainda somos estômago e sexo. Ou seja, somos movidos por desejo, pelos mais brutos instintos animais.

Escolhemos beleza, dentes perfeitos, aparência de saúde. Escolhemos ou somos marionetes de nossos instintos animais?

A beleza é fundamental em muito sentidos. No caso dos bebês por exemplo. Eles são frágeis, inocentes, não são capazes de se defender sozinhos. Qual sua defesa contra possíveis predadores e espécimes agressivos da mesma raça? A graciosa beleza infantil de bebês e crianças pequenas acaba sendo uma defesa natural contra agressões.

Beleza é um dom, um tesouro, uma bênção. E o contrário? Será maldição, castigo ou uma puta má sorte?

No mesmo exemplo da renascença, dá para notar que o belo masculino não mudou absolutamente nada. Caras saradões de carinhas bonitas estão em moda desde a antiguidade. Basta olhar o Davi de Michelângelo, as estátuas gregas e romanas, os deuses egípcios. Todos de corpo marombado.

Mas na hora que as luzes se apagam e o vai e vem começa, importa mesmo a estética?

Nessa hora de fechar os olhos, de acender o tato, de deixar a imaginação dominar a razão, esquecer do resto do mundo e deixar o prazer dominar os sentidos, mesmo nessa hora ainda é necessário um bocadinho de estética. É inevitável. Mesmo que o sexo seja ótimo, uma ereção digna de filme pornô, lubrificação total, calor, umidade, suor e tesão, quem pode jurar que quando fechou os olhos não pensou, ainda que por um instante, em algum astro ou atriz da tela? Nossas avós talvez sonhassem com Francisco Cuoco e Tarcísio Meira, nossas mães já podem pensar até em Reinaldo Gianechinni. Os tempos são outros! E os nossos pais e avôs? Eles sempre fecharam bem os olhos para pensar em Marylins, Bettys, Julias e Danielas. E a nossa geração? Será que é cabeça o suficiente para pensar só na pessoa com quem está? Eu duvido. Ainda somos muito humanos. Sexo é bom, ser bonito é bom. Estética faz parte do sexo.

Mas então resta a pergunta. Se nossa sociedade promove os belos, e até numa entrevista de emprego alguém com melhor aparência recebe privilégios, o que será dos feios?

Acho que a primeira coisa a fazer é entender que o mundo ainda é um lugar muito cruel, não apenas com os diferentes, mas com aqueles que são exatamente iguais, porém, não tão belos.
A melhor forma de enfrentar isso é com auto estima. Primeiro temos que ser capazes de olhar nos olhos das pessoas e dizer o que realmente somos e pensamos, sem esperar aprovação. Sem querer aceitação e sem aceitar piedade.

Isso funciona bem nas questões gerais como emprego, sociedade ou afins. Mas ainda é um pouco complicado no caso de um relacionamento a dois.

Felizmente, o esforço elimina a barriga, coloca músculos no lugar e até dá prazer. Então, toque número um: Pratique esportes. Faz bem para o corpo, ajuda a mente, melhora o humor e o corpo. E quem sabe se não é numa quadra ou academia que você não acaba conhecendo o seu par perfeito?

Toque número dois: Quem se gosta não come porcaria. Todo mundo sabe o que faz bem para o corpo, para a barriga, para a saúde e para a pele. Então, vamos gostar mais de nós mesmos e menos daquelas comidas gordurosas e assustadoras que propaganda disse que eram gostosas.

Terceiro toque: Se a natureza não deu, tente a ciência. Já é hora de parar com a hipocrisia de não querer fazer esta ou aquela intervenção. Reduzir pneuzinhos, ajeitar o nariz, diminuir os seios, colocar silicone. OK, aí entra a dúvida: O que é seu e o que é do médico? Respondo com outra pergunta: Quem foi que disse que nascer bonito vale mais? Não dá para comparar pessoas como se fossem jóias e bijuterias. Afinal, se somos assim tão diferentes de nossos pais e avós, será que vamos encanar com as mesmas coisas que eles? Já existe sofrimento suficiente no mundo para ficarmos inventando novas maneiras de torturar os semelhantes.

Pensem nisso antes da transa.

Abraços a todos,
Professor Gozzo

5/30/2003

Professor Gozzo

Quem é o Professor Gozzo? Muito marido traído já fez a mesmíssima pergunta. Claro, com alguns adjetivos preenchendo certas lacunas da frase. Aliás, não faltam aqueles que sugerem coisas para preencher uma certa famosa lacuna que o professor tem.

Sujeito tímido, não gosta de aparecer quando trabalha. Costuma enfiar-se de cabeça no trabalho duro. Corajoso, não tem medo de escuro e encara qualquer desafio com seu olhar firme, cabeça erguida e decidido.

Vaidoso, não revela a idade.  Mentiroso, não revela as origens. Portanto, ninguém sabe de onde diabos vem este sujeito. Bom escritor que é, adora inventar histórias sobre seus dotes físicos, mas quem já o viu pessoalmente, jura que é bem maior.

A única coisa incerta a seu respeito é a cor. Afinal, na hora, ou estava escuro ou quem deveria ver, apesar de ter arregalado os olhos, estava de costas.

Muito querido entre as mulheres, aliás, é justamente entre que elas o querem, odiado e ainda assim admirado pelos homens, o professor Gozzo é excelente ouvinte e procura sempre atender bem e resolver as dúvidas alheias.

Seu lema: “Se a vida é dura, eu sou mais duro ainda”.

E-Mail: fabiano.gozzo@gmail.com

Márcio Baraldi

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