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Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos "Barata" Cichetto e registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor. Bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade".
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Entrevista  Feita Por Fábio G. Carvalho com Luiz

Entrevista Feita Por Fábio G. Carvalho com Luiz "Barata" Cichetto, em Outubro de 2003
Fábio G. Carvalho
12/12/2003
A Barata, 5 Anos de Rock
Atitude, Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade

Luiz Carlos Cichetto, conhecido como 'Barata', é o criador do site A'Barata, escritor, poeta e maluco, este 'Rockeiro das antigas', tem em sua frase criada 'Rock É Atitude!', seu objetivo cultural. Confira conosco esta entrevista onde conversamos sobre o site A'Barata, a cena nacional de música independente e a '2ª. Fest'A Barata - Rock é Atitude!' entre muitas outras coisas.


CysZine: Antes de mais nada, por que esta fascinação pela Barata? Como surgiu a inspiração de torná-la o 'centro da atenção' no site A' Barata?
Barata: Não é bem uma fixação por baratas. Muita gente imagina que minha casa é cheia delas... O que existe é um respeito muito grande por esse inseto. A barata, o inseto, existe a cerca de 35 milhões de anos na superfície do planeta e sua alimentação é exatamente tudo. Uma barata pode por exemplo existir uma semana sem a cabeça e morre apenas porque não tem como comer... Portanto, a capacidade de resitência do bicho é inigualável. Mas uma razão muito forte para esse nome é A Metamofose, de Kafka. Quando li, a cerca de uns 15 anos, fiquei impressionado com a qualidade do autor. O detalhe é que ele não usa uma única vez sequer a palavra 'barata' na obra. É fantástico. Marcou muito em mim. Eu tinha projeto na Iternet que não tinha nome, ai fiquei pensando sobre o que colocar. Juntei uma série de quesitos no meu liquidificador mental e saiu A Barata... Acabei ficando conhecido como 'Barata' por causa do 'sucesso' do site. E tenho orgulho disso. Tem também algumas outras conotações: no Brasil 'barata' é uma gíria para o órgão sexual feminino e'roach', barata em inglês, é uma gíria para 'bagana'.
Em realidade tenho alguns problemas por causa desse nome, especialmente com o 'público feminino', que claramente tem uma aversão muito forte ao inseto. Muita gente comenta que gosta muito do site, mas que não o frequenta mais porque tem nojo de barata. Acredito que os marqueteiros de plantão diriam que foi uma péssima escolha esse nome, mas, depois de tanto tempo, não tem porque nem como mudar. O mais interessante é que passei a respeitar o bichinho e nunca mais esmaguei a chineladas nenhuma delas. Apenas procuro espantar.
Agora um fato curioso: a um tempo atrás uma pessoa entrou em contato comigo e que a gente participasse de uma exposição. Achei interessante, mas quando fui ver a coisa era para pessoas que criam bichos estranhos e como a muher tinha lido no site, em seguida ao meu nome 'Criador d'A Barata', achou que tinha uma criação delas... Deu trabalho para escapar...


CysZine: E como foi o início do projeto? Conte um pouco da história d'A Barata.

Barata: A Barata, ao menos com tal nome e personalidade, surgiu em 99 quando eu, morando em Belém, PA, decidi dar uma cara puramente cultural a um projeto próprio. Era uma miscelânea onde tinha desde meu currículo e dicas de informática até poemas e textos meus. O embrião do que é hoje nasceu de uma coluna que coloquei onde pedia que as pessoas mandassem escritos, artes. O primeiro a publicar um texto foi Vladimir Cunha, que mandou três ou quatro, inclusive uma entrevista exclusiva. A cidade tem muita barata e muitas ruas com o sobrenome Barata, inclusive a rua principal. Foi o 'start', e juntando com os porquês que expliquei na pergunta anterior, nasceu A Barata.
No início o nome aparecia apenas internamente, pois era hospedado na Geocities onde não existia a possibilidade de criação de nomes. Com a inauguração do HPG, bem no início de 2000, transferi, então com o nome de abarata.hpg... Em agosto desse ano retornei a São Paulo e um mês depois recebo um convite do programa 'Vitrine' da TV Cultura. Primeiro foi uma matéria sobre E-Zines, onde apenas algumas trelas são mostradas. Dois meses depois uma entrevista ao mesmo programa. Até então A Barata tinha o número de aproximadamente 30 visitantes diários e com esses fatos atinge o 'expressivo' número de 180 acessos diários.
Em 5 de abril de 2001, dia em que fomos à apresentação de Dio em São Paulo. passamos a ter um domínio próprio. Depois de inúmeros problemas transferimos a hospedagem, fato que se repetiu mais umas quatro vezes, cada vez que o site crescia um pouco mais em termos de audiência.

Em 11 Janeiro de 2002, mesmo sem nenhuma experiência nesse tipo de organização, acontece na Fofinho Rock Club a 1ª. Fest'A Barata - Rock É Atitude! Mas em Maio, por falta de condições financeiras, o site sai do ar, ficando assim por quase um mês. Foi o único período que permanecemos fora do ar, a não ser por alguns momentos, por falhas técnicas de servidor. Atualmente A Barata tem uma média de mais de 2.000 visitantes por dia, atingindo picos de quase 3.000. O projeto ainda continua financeiramente dando prejuízo, sob o ponto de vista financeiro, mas seu conceito perante o meio cultural e roqueiro é, graças à honestidade de transparência com que eu o trato, sendo muito bom.
No final do ano passado, fomos convidados a gerenciar a banda Patrulha do Espaço, além de ter feito o design gráfico e ter criado a idéia do '.ComPactO' ultimo disco da banda. Tal enriquecedora experiência fez com que eu criasse bagagem suficiente para colocar em prática o projeto da '2ª. Fest'A Barata - Rock é Atitude!', que acontecerá na mais antiga e tradicional casa de Rock do Brasil, um fato de enche de orgulho meu gélido coração e faz meu 'Sangue de Barata' esquentar.

CysZine: Bem, já que você falou e eu ia mesmo perguntar... (risos) Fale um pouco mais da primeira festa, como foi?

Barata: A idéia da primeira Fest'A Barata - Rock é Atitude! Surgiu por duas situações: a primeira, alguns amigos sugeriram que eu fizesse um evento com o intuito de arrecadar fundos para A Barata, já que como disse, sempre tenho que bancar os custos de hospedagem. O segundo foi a questão de a gente reunir o que imaginei que seria a Comuinidade d'As Baratas: pessoas, na época beirando 200, que nos mandavam seus trabalhos para serem publicados e tal. Confiei na audência d'A Barata, ná época em torno de 500 e pouco de média. A idéia era - e continua sendo - juntar Rock, Poesia, Tatuagem, Grafite... enfim todas as formas de arte que divulgamos, em um ambiente em que as pessoas pudessem além de se divertiir ter contato com um cultura diferente do que estavam acostumados a ter. Procurei algumas casas, e a Fofinho, uma das casas mais antigas de São Paulo aceitou.
A coisa foi boa pelo aspecto cultural, as pessoas que compareceram curtiram e participaram muito. Mas, graças a fatores como a minha inexperiência, uma certa desorganização da casa e principalmente o dia, uma sexta feira, e o fato de ter despencado um dilúvio em São Paulo que começou as quatro da tarde e varou a madrugada, fizeram com que financeiramente a coisa tenha sido uma tragédia: prejuízo! Esperavámos um afluxo bem maior de público, o que não aconteceu. Resultado: fui obrigado a usar dinheiro que seria para despesas domésticas para saldar despesas do evento. Isto foi trágico, quase acabei com um casamento de 20 anos... (Ne: Pode ter certeza que nós o entendemos...)


CysZine: E a segunda, como estão os preparativos? Já está tudo confirmado? Quais os planos?

Barata: Depois desse balde, decidi que estaria fora dessa coisa de promover eventos, musicais especialmente. Em algumas horas, cheguei a pensar e fazer outra, cheguei a buscar lugares, mas sempre acabava desisitindo. O medo do fracasso financeiro era muito grande e além disso minha condição financeira ia de mal a pior: aluguéis atrasados, telefone cortado e por ai vai. Mas algo começou a mudar quando o Júnior, batera e co-fundador da Patrulha do Espaço chamou-me a participar ativamente da banda. Marcamos um show na Led Slay e parti a campo fazendo toda a promoçao do show. A diração da casa gostou do trabalho e um belo dia me chamou para fazer o evento. Agora eu tinha todas as condições que faltaram na primeira: experiência maior, casa melhor localizada, o dia, a época e um respaldo bem maior o que propiciou até que eu conseguisse precisosos patrocínios.
A idéia é repetir com muito mais precisão as coisas que pensei para a primeira. E estamos com a mão enterrada na massa até o pescoço e embora ainda algumas pessoas - sempre têm - não estejam acreditando, algumas até por preconceito puro, por acharem que uma pessoa na minha idade tinha que estar de pijama assistindo novela, a coisa vai acontecer. E se depender da torcida dos amigos, vai ser muito boa! Saca o que a gente programou: A coisa vai acontecer dia 8 de Novembro de 2003, Sábado, das 20:00 as 5:00.com início da primeira apresentação as 20:15 H. O local será a Led Slay Rock Club, uma casa com mais de 30 anos ininterruptos de som, com capacidade para 4.000 Pessoas. Os ingressos serão a 10 paus com mais 1 Kg de Alimento 1 Kg de Alimento que será doado a uma instituição de apoio a idosos. As bandas: Tublues, de Lorena, SP, Homem Com Asas (Grand Funk e Led Zeppelin Cover de São Carlos, SP); Black Rainbow (Dio Cover de Cotia, SP), Rock Dogs (Black Sabbath e Deep Purple Cover de São Paulo, SP), Violent Noise (Nirvana Cover de São Paulo, SP), Savatage Cover (Savatage de São Bernanrdo do Campo, SP), The Eddie Of Darkness (Iron Maiden Cover de São Bernardo do Campo, SP); Motörhead Crew (Motorhead Cover de São Paulo, SP) e Ataque Relâmpago (Ramones Cover de São Bernardo do Campo, SP).
Os eventos paralelos: Presença de Fan Clubes, Tatuador, Exposição Fotográfica, Grafitagem, Exibição de Vídeos, Filmagem do Vídeo Zine Arquivo Geral Nº. 5, Bancas de CDs, Livros, Revistas, Camisetas etc.


CysZine: Quais as maiores dificuldades em se organizar um evento como este?

Barata: Muitas, acredite. A coisa começa com o local. Donos de casas de Rock têm uma visão puramente mercantilista, querem o lucro rápido. Aí, o que seria um projeto fantástico, por conta das concessões que temos que fazer, acaba se transformando num monstrinho. Material de divulgação, folhetos e cartazes, além do aluguel de equipamento de som, custam caro e tem um trabalho muito grande a ser feito em termos de divulgação, senão a coisa vai para o buraco. A casa quer público, quer encher, que a galera consuma bebida, ai é cobrança atrás de cobrança. Mas, acredite a coisa que é mais complicada é com a parte que a maioria acharia mais simples: as bandas. Imagine organizar um evento com 11 shows numa noite. Tem o lance do cachê, que num evento desse porte não dá pra ser alto, mas o que mais me deixa injuriado é a falta de profissionalismo de uma boa parte das bandas. O pessoal quer apenas chegar no dia da apresentação, tocar, encher a cara e de preferência traçar uma garota, depois recolher a grana e cair fora. Estou montando um esquema de trabalho diferente, com releases das bandas no Hot Site do evento e tenho que implorar para me mandarem material. Claro que não é com a maioria, mas, estou até usando esta entrevista para desabafar: estou desanimado com o pessoal das bandas. Tem uma banda ai, que por questão ética declino do nome, que está iniciando mas tem um pouco de conhecimento pelo curriculo dos músicos eque a gente tem dado uma força, que recusou tocar porque o local é na Zona Leste de São Paulo. Um esclarecimento para quem não é da cidade: existe um bairrismo absurdo, um preconceito idiota que faz com que uma casa como a Led Slay, com mais de trinta anos, não seja aceita. E isso é mais uma pedra no caminho da organização de um evento como esse.


CysZine: Por que apenas bandas cover e não bandas com trabalhos próprios, como o próprio Patrulha do Espaço, que você mesmo trabalha com eles?Aliás, você ainda está trabalhando com a banda?

Barata: Sabia que ia rolar esta pergunta. É com que ela seja feita. Inclusive escrevi um editorial no n'A Barata tentando explicar isso, já que tenho sido apedrejado por causa disso.
Ainda trabalho com a Patrulha do Espaço, mas por conta da falta de shows e o fato da banda estar em processo de gravação de um novo CD, a gente tem trabalhado pouco. Em principio seria a primeira banda a ser colocada, mas como se apresentou na Led Slay no final de Março, ia ficar complicado colocar agora. Entretanto, a coisa que bateu mais forte: em março, com três meses de promoção, chamadas numa FM de Rock, 12 mil folhetos e divulgação na internet, aparecem trezentos gatos pingados. Para uma casa com capacidade para 4.000 pessoas.
Agora, a parte mais polêmica da pergunta. 'Porque banda cover?' Primeiro eu começo respondendo com uma pergunta: porque não bandas cover? Se você pegar o histórico de qualquer banda vai ver que tocaram covers. Sei que vão dizer, mas é diferente, eles tocam alguns mas não são exclusivamente, compõe e tal. A questão é bem complexa. Primeiro temos que respeitar o trabalho dos músicos independente do que eles tocam, se compõem ou não. Segundo, há de se entender o contexto histórico que levou a essa situação atual em que quase todos os bares e casas de Rock aceitam apenas bandas desse estilo. Nos anos setenta e parte dos 80, você ia a show de Rock em teatros em meio de semana, lotados. Assisti ao primeiro show da carreira da Patrulha do Espaço em 77, com mais duas obscuras bandas brasileiras e três idem argentinas, num Ginásio do Ibirapuera completamente lotado. Todo mundo cantando suas composições em suas linguas pátrias.


Era comum ver Made, Patrulha, Joelho de Porco, lotarem teatros e ginásios dessa forma. Porque hoje não acontece mais isso? De quem é a culpa? Da midia? Claro! Mas o grande culpado disso reporto é próprio público que passou a enxergar o Rock apenas como divertimento. Antes, um show de Rock era uma acontecimento político-social, era um clã unido. Hoje as pessoas quer apenas a parte do Rock que é o circo. Lembra do Rock in Rio? Com Sandy e Júnior? Também a negada não tem acesso a pagar 100 paus para ver o Deep Purple, ai paga 10 para ver um cover e matar um pouco da vontade.

Eu jamais conseguiria, com as dificuldades que falei na outra pergunta, fazer um festival com bandas de som próprio, por um motivo principal: todo quer isso, mas ninguém paga para ver. Se alguem patrocinar todos os custos, a gente faz um festival beneficente... Ai tá tudo bem! Todo mundo quer trabalho próprio, mas ninguém compra discos, ninguém vai aos shows. A Patrulha tocou em São Bernardo em Abril para 20 e poucas pessoas.
Apenas para concluir esta resposta: o que procurei foi trazer bandas de qualidade, com bons músicos. Por exemplo os caras que fazem Purple e Dio são fantásticos. A banda que vai tocar Zeppelin e Grand Funk é uma molecada cabeça de São Carlos... Enfim procurei colocar bandas que acima de tocar covers são bons músicos. E também tem o lance do Tublues, que faz trabalho próprio, e inclusive vai estar lançando o segundo disco na Fest'A Barata, que tem uma música 'Sangue de Barata', cuja letra é minha.

CysZine: Que outros trabalhos você realiza com relação às bandas independentes?

Barata: Engraçado, outro dia comecei a arrumar meus CDs e descobri que tenho mais material de bandas desconhecidas, independentes, do que trabalhos 'normais'. Comecei até a pensar sobre isso. As bandas me manda muito material e na medida do possivel a gente divulga no site. A gente sempre abre espaço no site para a divulgação de eventos independentes. Fazendo um gancho desta pegunta com a anterior, em algo importante que esqueci de falar: há um tempo atrás, montei um projeto chamado 'FBI - Festival de Bandas Independentes'. A idéia era que todos os envolvidos, bandas, organização, expositores etc., dividissem os custos e os eventuais lucros. A parte que caberia a cada um seria pequena, mas ninguém mostrou o menor interesse. Acharam que eu queria que as bandas pagassem para tocar. Era uma cooperativa... Mas, de qualquer forma, quero fazer um evento desse porte, apenas com bandas de som autoral. É uma questão de honra, de atitude! E rock é Atitude!

CysZine: Voltando ao site d'A Barata, ele é um site muito complexo, com muitas coisas diferentes, o que deve tornar seu trabalho bastante cansativo. Aliando-se este fato com as dificuldades de se manter um site financeiramente (sei que apesar da grandiosidade do projeto, ele não gera recursos financeiros, já tendo saido do ar uma vez por este motivo), alguma vez já pensou em desisitir de vez do projeto? Em relação ao site, quais as maiores dificuldades?

Barata: A Barata hoje, tem mais de 6.000 páginas e todo o trabalho eu sempre fiz sozinho. Edição, programação, arte, tudo. É cansativo, claro, passei a dormir umas três ou quatro horas por noite para que o trabalho com o site não tome tempo que preciso dispender para correr atrás do pão. Alie-se a despesa mensal, que hoje está na faixa de quase duzentos paus, que não invariávelmente são desviados das contas de luz e telefone e você vai perceber que é claro que, depois de quase cinco anos, realmente em muitas oportunidades tive vontade de largar tudo. Ninguém se importa, mesmo!

Ás vezes alguém dá alguma contribuição, tem dois amigos que dão uma contribuição mensal a título de 'anuncio'. Sei entretanto de sites que claramente se insipiraram em meu modelo, definição e ideologia, que por estarem em posição social melhor, conseguem, até com tráfego de influência, estarem dentro de portais, têm equipes montadas e faturam alto com publicidade. Uma época coloquei uma chamada no site chamando as pessoas a colaborarem técnicamente, fazendo edição, essas coisas. Ninguém se manifestou. Imagine que dentro de quase trezentas pessoas e quase 100 bandas que a gente divulga, teria gente com algum dinheiro ou trabalho que pudesse colaborar. Mas, com raríssimas exceções, ninguém está nem aí! Mas esteja certo de uma coisa: desistir eu não desisto! Sou acusado de irresponsável, de louco, de um monte de coisas e cada vez mais sinto a dor de Gregor Samsa (personagem principal do livro que citei no começo desta entrevista), que acorda uma manhã 'transformado em um inseto monstruso'. E as pessoas, incluindo pais e irmã, não estão preocupados com sua situação, mas sobre como seria impossivel seu relacionamento social. Será que eu também estou virando uma barata? (Ne.: Se for em relação à resistência, já virou faz tempo!)


CysZine: Aproveitando o que você disse sobre 'as pessoas não darem a mínima', isto me preocupa, pois de certa forma isto é meio parecido com o que ocorre com as bandas. Veja só, todos querem assistir shows de bandas famosas, gigantes, com estrutura financeira para investir em marketing, etc. E poucos se preocupam com as bandas nacionais, que embora menos conhecidas possam em muitos casos possuir muito mais qualidade. Acha que esta mentalidade também seria uma diretriz para isso? Ou seja, que as pessoas só se interessem em contribuir para sites digamos, mais 'mainstrean'? Mesmo que muitas vezes, isto signifique um trabalho inferior? O que acha desta comparação?

Barata: É bem isso, mesmo. Em realidade, ninguém está nem ai. conheço um monte de projetos interessantíssimos na internet que desapareceram porque seus criadores não conseguiram condições de manter. Sei que a maioria dos sites de Rock brasileiros passam por dificuldades financeiras. A Gisele luta muito para manter o Mundo Rock, o João idem com o Whiplash. A gente continua lutando porque acredita, mas ai você olha do lado e vê que quem sobrevive legal, estão em portais. Os que conseguem verbas publicitárias são sites de piadas, fofoca, essas coisas. É a 'cultura global', a pseudo cultura imposta pela Rede Globo. A velocidade, a falta de comprometimento, todo mundo quer diversão, cultura de verdade parece que dói no cérebro desse pessoal. Mas eu não culpo as pessoas. Estamos em uma época muito egoísta, de muita dor com falta de emprego e consequentemente dignidade. O resultado é que o camarada quando chega em casa, quer saber de assistir novela, ou ir para a internet ler piadas, conversar fiado em salas de bate-papo ter o erotismo falso, porque nem o erotismo real, por estar tão deprimido consegue ter.

Esta situação se aplica a qualquer coisa, a comparação que você se refere é correta, mas até mais ampla. O que impera por exemplo em literatura é caras medíocres como Paulo Coelho e vai por ai. Entretanto, não acredito no underground. Ele não tem força. Nunca teve. Se nos anos 70 não deu certo, que era uma época em que as pessoas estavam com seus sensos de comunidade mais aguçados, imagine agora, quando vivemos a era do egoísmo. Qual é a saída, então? Francamente não sei.

CysZine: Você ainda tem planos de levar a cabo o FBI (Festival de Bandas Independentes)?
Barata: Com certeza. este e outros projetos vão ser levados a cabo. Quero entretanto fazer uma coisa bem organizada, em que o trabalho de todos os envolvidos seja valorizado. Passando 8 de novembro, depois da Fest'A Barata, vou colocar esses projetos na ordem do dia.

CysZine: Eu particularmente aprecio muito a proposta, é nela que vejo o verdadeiro sentido de união que muita gente prega, e acho que as bandas deveriam investir em idéias como esta, é muito fácil esperar que alguém corra atrás de tudo por elas e como você mesmo disse, só se preocupar em tocar, beber e comer (nos dois sentidos), talvez esteja faltando mesmo um pouco de Atitude. Inclusive, não sei se você conhece, mas no Ceará há um projeto deste tipo que deu bem certo (ACR), lá as bandas se unem e batalham para viabilizar as coisas como você disse em uma espécie cooperativa. Por que na região Sudeste as coisas parecem ser mais difíceis neste ponto? Aqui as bandas parecem ter uma resistência maior em cooperar umas com as outras, você acha que aqui isto ocorre por quê?

Barata: É, você tocou num ponto interessante. Parece que aqui para baixo, a coisa é mais, digamos, egocêntrica. Em Belém do Pará, onde eu morei um ano e tenho contato com um pessoal ainda hoje, particularmente a banda Norman Bates que aliás faz um trabalho interessantíssimo, a cena é muito mais cruel, impera o brega e o Rock tem muito pouco espaço, a galera se une muito mais e consegue furar o bloqueio, descolar espaço. Sei que existe isso em muitos lugares nas regiões Norte e Nordeste, mas aqui é tudo mais dificil, apesar de exisitir em tese muito mais abertura. Você vê muito mais união entre o pessoal do Pagode, por exemplo. Dentro do universo do Rock, onde existe um pouco mais de união é com o pessoal do Punk, que consegue atingir as periferias, arrastar muita gente, têm atitudes muito mais forte socialmente, sabem, a exemplo do pessoa do Rap, mexer com problemas que a galera sente... Acho que o caminho é por ai. Ao menos, é por esse camninho que eu ando.
O propósito d'A Barata é esse, tanto que cada vez mais estou ampliando os espaços interativos, on line. Mas é dificil arrancar as coisas das pessoas.

CysZine: Bem Barata, realmente a conversa está muito boa, creio que poderíamos nos estender por muitas e muitas linhas, mas creio que o principal, já conseguimos, você gostaria de complementar algo que não abordamos para encerrar a entrevista?

Barata: Bem, queria agradecer o espaço que o Choose Your Side nos deu. Para concluir, gostaria apenas de falar que ainda podemos SIM mudar o mundo. O Rock acreditou nisso, hoje ninguem parece mais acreditar, nem querer mudar nada. O egoísmo tomou conta, a desesperança impera. Temos que acreditar! E aproveitando no final convidar a todos para a '2ª. Fest'A Barata - Rock é Atitude!' na Led Slay, dia 8 de novembro. Abraço!
http://www.cys.mus.br
Programa Momento Rocktime 57 - Jackson
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Combate Rock - Barata Cichetto
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Programa Rocktime 49 - Jackson
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Portal Megaphone - Pinnas
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Whiplash - Barata Cichetto
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Ninguém Presta - Ian o Da Rocha
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Barata Cichetto no Programa Rocktime - Jackson
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Video Institucional Para o Programa Rocktime - Jackson
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Participação no Quadro "Cinco Sons", do Programa Radar Cultura, da Rádio Cultura Brasil - Rádio Cultura Brasil
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Barata no Radar Cultura, com a Banda Pedra - Alceu Maynard e Roberta Martinelli
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Segunda Entrevista ao Blog "Dengue, É O Fim da Picada" - Alex Alves
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Entrevista ao Blog "Dengue, É O Fim da Picada" - Alex Alves
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Blog do Noblat - Ricardo Noblat
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Entrevista ao Site ClubRock - Pedro Vicente
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Texto de Matéria de Capa do Jornal "O Pajeu" - Janailson Nogueira
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Citação de Texto de Barata Cichetto no XLIII Congresso da Sober - Antonio Dimas Simão de Oliveira e Maria Irles de Oliveira Mayorga
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Marcio Baraldi - Depoimento de Marcio Baraldi
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Entrevista Feita Por Fábio G. Carvalho com Luiz "Barata" Cichetto, em Outubro de 2003 - Fábio G. Carvalho
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100 Sal - Mas Com Algum Tempero - Claudia Bia
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Matéria no Site Choose Your Side - Fábio G.Carvelho
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Jornal do Brasil - Timidez Ou Covardia?
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Revista "Rock Brigade" - Rock Brigade
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Entrevista ao Fanzine Rock e Cultura - Cezar Heavy
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