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Márcio Baraldi

 

 

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Qualquer coisa que é proposta com relação ao conceito "drogas" sempre esbarra no preconceito. A primeira coisa é o autor ser tachado de apólogo. A polêmica a respeito do assunto é tão grande quanto à definição. Quando desejamos debater um assunto, acredito que a primeira coisa que precisamos ter em mente é a definição clássica. Aí começam os problemas. O próprio consagrado dicionário Aurélio, oferece definições em língua portuguesa que incitam á polêmica. Termos como "Medicamento ou substância entorpecente, alucinógena, excitante, etc., ingeridos, em geral, com o fito de alterar transitoriamente a personalidade", "Coisa de pouco valor", "Coisa enfadonha", "Qualquer substância ou ingrediente que se usa em farmácia...".

Sempre associada ao "vício", a palavra "droga" e seus diversos axiomas e paradigmas, sempre suscitou debates inflamados, críticos hipócritas, defensores medrosos ou análises pouco profundas. Não necessariamente drogas se tornam vícios, mas para efeito de análise mais profunda e ampla, iremos manter desta forma, analisando e debatendo de forma ampla a "droga", mesclada ao "vício". Para efeito de nossas análises vamos subverter a definição aureliana, modificando "medicamento ou substância" para "coisa". Mesmo porque existem "drogas" muito poderosas que têm "o fito de alterar transitoriamente a personalidade", que não são "medicamentos ou substâncias". As novelas e as religiões, por exemplo. Outras são "medicamentos ou substâncias" que não tem "o fito de alterar transitoriamente a personalidade", como o cigarro comum.

A frase "sexo, drogas e rock'n'roll" foi por muito tempo usada abertamente e acabou criando um estigma de que todo mundo que gosta desse gênero musical é drogado. As casas e bares onde é tocado esse tipo de música sofrem perseguições por este preconceito. Mas as "drogas" estão por toda parte e nas casas mais "insuspeitas".

Quando é noticiado um crime hediondo, a primeira coisa que as pessoas fazem é afirmar que o criminoso é ou está drogado. Uma afirmação que, mais do que culpar a droga pelo ato, serve de atenuante ao criminoso. O tiro aí sai pela culatra. Existem pessoas más e pessoas boas que usam drogas. A droga não faz com que pessoas boas se tornem más ou vice-versa.

E quando falo em drogas neste caso, estou falando não apenas do que vem a mente da maioria quando o termo é usado, não estou falando apenas de maconha ou cocaína, estou falando de bebida, de remédios, de religião, de informática, de sexo, de música, de qualquer coisa que altere o comportamento e ou que vicie. Em "As Portas da Percepção" Huxley fala da fome como poderoso alucinógeno; existem autores e cientistas que defendem o uso da maconha como remédio e muitas tribos indígenas usam substâncias tidas como drogas em sociedades "civilizadas" como tal. Portanto é ai onde entra o mote deste debate que estamos abrindo aqui. O objetivo é a discussão sobre o que é droga, quais os tipos de droga, porque existem drogas "legais" e "ilegais".

Sou tabagista alucinado, fumo três carteiras de cigarros por dia. Um amigo que fuma maconha um dia me disse: "Eu não sou drogado, drogado é você. Eu fumo maconha, mas um ou dois baseados por dia e você fuma 60 cigarros por dia". Acho que ele está muito correto. Da mesma forma que uma pessoa que não consegue ficar um dia sem ver o capítulo da novela das oito, que embota sua mente com a religião ou que não consegue ficar um dia sem fazer sexo também é mais drogado que meu amigo.

Algumas frases sobre drogas que podem nos servir como embasamento neste debate. "Bêbados não marcham!", "Droga não é o mal. A droga é um composto químico. O problema começa quando pessoas tomam drogas como se fosse uma licença para poderem agir como babacas". Estas frases são atribuídas a Frank Zappa; "A minha alucinação é suportar o dia a dia, e o meu delírio é a experiência com coisas reais", Belchior, na música "Alucinação". 

A idéia do projeto "Drog'As Baratas" é abrir um debate amplo e sem preconceito nem censura sobre o assunto "Drogas". Diferentes pontos de vista serão bem vindos. Detratores e defensores, apólogos e teólogos. Dentro do espírito que norteia A Barata: "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade". Alguns dos temas propostos são: A Droga da Maconha, A Droga da Religião, A Droga da Cocaína, A Droga da Televisão. A Droga do Remédio, A Droga do Trabalho, A Droga da Internet, A Droga do Sexo. Outros podem ser propostos e todos os textos poderão e deverão ser debatidos.

Apenas com o intuito de dar uma relaxada num debate sobre um tema forte e polêmico, a frase de um outro amigo "maconheiro" (não existe nada mais idiota do que este termo e toda a carga de preconceito que ele carrega): "Maconha faz mal á memória e outra coisa que esqueci".

Luiz Carlos Cichetto

 

Márcio Baraldi

A Barata - Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade - www.abarata.com.br

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