O Artesão
Luz Carlos "Barata" Cichetto |
Apanho de pedaços de madeira, sobras de um marceneiro
Deles retiro a sujeira, raspo, serro, corto, aliso o madeiro
Construo caixas, mobiliários, capelas e nichos de santos
Esculpo nomes de flores, nome da amada e outros tantos.
Transformo minha minha poesia agora em arte concreta
Minha dedicação é da madeira, antiga admiração secreta
Aos santos e santas dedico minha obra, caleja minha mão
O cheiro da tinta embriaga, agora falta ar em meu pulmão.
Artesão dedicado, crio rimas em pinho, cedro rosa e marfim
Esperando apenas o sorriso da amada ou o da Santa, enfim
Impregna minhas narinas a serragem marrom da madeira
Mas a caixa de jóias encherá de risos a amada derradeira.
Amante prestimoso, transformo restos em arte amorosa
Transformo lixo em poemas, serragem em ode gloriosa
Mas nem a amada, nem a Santa aceitam minha arte de paixão
Então resta pegar restos de madeira e construir o meu caixão.
15/09/2009 |
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