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Estes quadros
fazem parte da exposição "Fundo
do Baú - Pinturas Rockers", que estreou em Belo
Horizonte na mesma data em que estão indo pro ar n'A
Barata (04/09/2002).
Todos os quadros são tinta acrílica sobre madeira.
Não é permitida a cópia e a reprodução sem
permissão do artista.
Para comprar os quadros, Mande um E-Mail para:
gugashu@ig.com.br
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Guga
Schultze
Guga - batizado assim pelo irmão mais novo que,
na impossibilidade de pronunciar o nome Rodrigo, definiu
o apelido - nasceu há muito tempo atrás, numa cidade
grande, quente e litorânea. Desdenhou desde cedo a
cultura oficial e, por isso mesmo, desenhou todos os
seus cadernos escolares que, destinados precocemente ao
lixo, encantaram milhares de baratas. Daí o gosto pelo
papel guardado eternamente em gavetas onde seu traço é
devidamente apreciado pelas traças, seu público fiel.
Daí também o descaso com os originais que, se não
foram roídos, foram perdidos, doados ou simplesmente
esquecidos, o que, no mínimo, é um procedimento (o
único que ele guarda) original.
Não ganhou nenhum prêmio em nenhum salão de humor.
Por outro lado também não participou de nenhum.
Anônimo como um gato no telhado, filosofa: "os
cães ladram e é por isso mesmo que não desço de
jeito nenhum".
Tem medo da morte, da côrte, do norte, do forte e das
coisas de porte. Acha que a arte é a espinha dorsal da
cultura e, ao notar que está quebrada, tornou-se um
fumante invertebrado. Andarilho, noctívago, vadio,
atravessa ruas como quem vadeia rios, pé ante pé,
procurando estrelas no céu da cidade, sabendo vagamente
que está procurando no lugar errado, sentindo que perde
tempo mas pensando: 'há uns males que vêm para o bem e
Unos Milles que vêm para te atropelar. Por isso, fica
esperto..!"
Impressionado com a carga do trabalho alheio, não
cogita entrar numa dessas: "não cogito, não ergo
nem suo". Defende-se da acusação de esquivo e
indeciso com um mínimo de coerência, usando a máxima
filosófica: "penso, logo, hesito". Sobrevive
às expensas da boa fortuna que providenciou pais,
parentes e amigos verdadeiramente providenciais, com a
exceção do fato de nenhum deles possuir qualquer
fortuna. Ou seja, tem costas largas a despeito de não
ter peito para enfrentar the whole wild world.
Sente-se pequeno frente a gigantesca maré dos tempos
mas, em compensação, eleva-se na companhia de amigos
baixinhos. Acredita piamente no ocultismo, o qual
emprega sabiamente: "quando me oculto, ninguém me
acha." Diz que telepatia é coisa trivial, que a
gente usa toda hora (falando, ué..) e funciona até no
escuro, "menos entre pessoas
surdas-mudas."
Crê que após o ano 2001 seu trabalho anterior será
visto com novo interesse, não só pelo aprimoramento de
quem desenha sem parar mas principalmente pelo seu valor
histórico: serão obras do milênio passado.
Enquanto isso pede 'mesa' e espera no que vai dar.
Guga Schultze
gugashu@ig.com.br
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