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O Projeto "Sangue de Barata", trabalho conjunto de Barata e Raul Cichetto, poeta e poeta e  musico e poeta respectivamente. Assim como respectivamente filho e pai e pai do filho e tal.

Poesias de Barata musicadas e produzidas por Raul. Porque "As baratas não rastejam, é apenas o jeito delas caminharem". Pretensioso, sim, o trabalho tenta furar os bloqueio das panelinhas de músicos e grupelhos de artistas que imaginam estar em um pedestal. Artistas de verdade não estão nas salas com ar condicionados dos teatros das nobres ruas da cidade. Estamos sim ralando atrás do pão e porque não, querendo um pouco de circo. Porque a arte não é o Circo do Sol, empoleirado nas telas majestosas. Arte é o circo da periferia com palhaços maltrapilhos, equilibristas bêbadas e poetas... cansados... mas ainda sim, lutando por sua arte.

Raul e Barata Cichetto
Inverno 2010

My Space: http://www.myspace.com/projetosanguedebarata

Barata

Barata
Quando Quero sou Anjo
Quando Desejo sou Demônio
Quando não Quero, Nem Desejo
Barata!

Metástase

Metástase
Daquilo que era Cura sobrou apenas...
Doença!
E daquilo que era Fé sobrou apenas...
Descrença!

Daquilo que era Sol sobrou apenas...
Temporal!
E daquilo que era Desejo sobrou apenas...
Imoral!

Daquilo que era Estrela sobrou apenas...
Escuridão!
E daquilo que era Carne sobrou apenas...
Podridão!

O Êxtase

O Êxtase
Porque a Poesia deseja o Poeta que também a ela corteja
Tem o Poeta sua malícia e a Poesia é aquela que o deseja
O Poeta é o Corpo e é a Poesia a Alma que se lhe enseja
E começa a Orgia das Almas, e que o Universo a proteja!

Abraços, línguas entrelaçadas, chupadas, carícias profundas
Almas tocadas e acariciadas: as almas também tem bundas
O corpo que penetra a alma revestida de desejo de prazer
Porque tesão verdadeiro é aquele que a alma pode trazer.

Sou Poeta, és Poesia, e quando almas procuram ao carnal
Não são relâmpagos de tempestade, mas silêncio anormal
E por um momento não existe nem corpo nem alma total
Apenas o êxtase, prazer que nos carrega ao sobrenatural.

Amamos o corpo, desejamos a alma e nos fazemos gozar
Carregados a uma dimensão onde poucos souberam ousar
Reflexos um do outro, nossos próprios espelhos invertidos
Ao êxtase glorificados e à vida absolutamente convertidos.

Sinestesia

Sinestesia
O gosto amarelo da derrota em lugar do cheiro rubro do desejo do quarto
Tateando o lilás da tampa da garrafa da derrota, bebendo cheiro de parto
Carrego estrelas azuis, da língua do céu, a boca da noite, o gosto amargo
Meu desejo é agora incolor, gosto de podre, a saudades é preta, estrago.

Não espero papagaios cor-de-rosa sentado em cadeiras de balanço roxas
Esperar é morrer, esperar é o cinza e o amarelo é o gosto das suas coxas
Nomes das cores, nomes das dores, amores incolores, cores sem gosto
Cores sem nomes, sem odores. Que nomes tem as rugas do meu rosto?

 
 

Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria e propriedade de Luiz Carlos "Barata" Cichetto e são registrados na Biblioteca Nacional. Não são permitidas cópia e publicação deste conteúdo em nenhum outro meio de comunicação sem a expressa autorização do autor, bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade - Direitos Reservados.
A Barata - Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade - 12 Anos - www.abarata.com.br  -  Celular: (11) 6358-9727 (Tim)

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