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Luiz Carlos Ferreira Maciel
(15 de Março de 1938 - Porto Alegre - RS)


Teórico e diretor. Um dos fundadores do semanário O Pasquim, assina a coluna Underground, pioneira em divulgar a contracultura no Brasil, e torna-se muito importante para o movimento.

Ele não apenas observa como acompanha de perto a criação de algumas obras-chaves da contracultura, nas áreas do teatro, música e cinema. Em 1967, por exemplo, participa do processo de criação da linguagem de O Rei da Vela, ministrando laboratórios de improvisação com os atores. Em 1968, no Teatro Jovem, dirige Barrela, primeira peça escrita por Plínio Marcos (1935-1999), cujo texto é censurado no dia da estréia. No mesmo ano, escreve, para a Revista Civilização Brasileira, um ensaio em que procura, na relação com o público, o papel social e psicológico das companhias Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, Teatro de Arena e Teatro Oficina. O escritor só retorna Ã direção teatral oito anos depois, com um texto de Edward Albee (1928), A História do Zoológico, único espetáculo que monta na década de 70. Nesse período publica três livros, Nova Consciência, Morte Organizada e Negócio Seguinte. Assina, em 1969, a coluna de teatro do jornal O País e a coluna Vanguarda no Última Hora. Em 1972 edita o semanário Rolling Stone. Colabora para o caderno Idéias do Jornal do Brasil. Faz crítica de teatro para a revista Veja de 1977 a 1979. Nos anos 80, dá cursos de playwriting e screenwriting, técnicas de roteiro, em centros culturais, escolas de teatro e empresas de produção audiovisual. Assina o roteiro de O Homem que Comprou o Mundo, com direção de Eduardo Coutinho.

Durante a década de 90 tem maior regularidade em suas incursões como diretor teatral, produzindo um espetáculo por ano. Em 1996 encena Jango, uma Tragédia, a única peça escrita por Glauber Rocha para o teatro. No mesmo ano publica Geração em Transe, em que aborda diferentes momentos e obras da contracultura brasileira.
Admirado por muitos, Luiz Carlos Maciel se tornou um ícone da contracultura, escrevendo, editando, dirigindo, dando palpites e criticando o trabalho dos artistas mais solicitados do período. Seu estilo muito próprio de redação imprime uma cara singular aos acontecimentos da época, registro vivo até hoje do desbunde que caracterizou a criação artística de toda a juventude de sua geração.
A Morte Organizada de Luiz Carlos Maciel
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
Em 1978 ainda se tinha um pouco daquele sonho de liberdade e iniciado em Woodstock, John Lennon ainda vivia, Raul também. E muitos outros. O Brasil ainda vivia sob a chibata da ditadura militar. A cultura "Rock" era exclusiva e fechada.

Foi naquele ano que comprei um livro que viria a mudar minha maneira de pensar o mundo. John e Raul já tinham feito um pouco por isso no inicio da minha adolescência. Mas agora era diferente. O livro: "A Morte Organizada". O autor, Luiz Carlos Maciel, do qual tinha lido alguma coisa no Pasquim e na Rolling Stone Brasileira.

O livro foi uma porrada em minha cabeça. Li, reli, tornei a reler. Durante muito tempo só fiz isso. E pensei sobre isso. A porrada já começava nas citações de abertura: Buda, I-Ching e Castaneda. Em "Encruzilhada da Contracultura", ele iniciava da seguinte forma: "O sonho acabou? o diagnóstico de John Lennon implica em sua própria negação; a síntese é o caos. Os sonhos acabam, o pesadelo continua."

Depois de textos sobre contracultura, futuro do Rock, existencialismo, vinha a melhor análise sobre cultura musical que eu já li: "Espesso Como Um Tijolo", sobre "Thick as A Brick" do Jethro Tull. A obra de Ian Anderson, a maneira como ela é contada no próprio disco - como se fosse o trabalho de um garoto de 8 anos -, é analisada por Maciel de uma forma clara, cristalina, mas "espessa como um tijolo".

Mas a maior tijolada ainda estava por vir: "Origem da Ciência", bebia direto na fonte de Allan Watts e desmascarava o mito da ciência como verdade absoluta. Uma série de poemas magníficos, como "Poemas de Exorcismo" ("Não encontro as palavras/A surpresa das coisas me confunde./Não sei o que sabia/...)" Os desenhos de Lapi formam também a moldura desse quadro. O tempo passou, já se foram quase vinte anos. Muitos livros e atropelos depois, encontro de novo "A Morte Organizada". Releio de novo. E a tijolada é a mesma!!! Onde anda você, Maciel?

1996
"A Morte Organizada" Luiz Carlos Maciel Editora Ground 1978 
Cronologia
+ Formação
1958 - Porto Alegre RS - Bacharel em Filosofia pela UFRS
1960/1961 - Pittsburgh (Estados Unidos) - Estudos de Direção de Teatro e Playwriting no Carnegie Institute of Technology

+ Trabalho Como Crítico
1969 - Rio de Janeiro RJ
O País 1969/1970 - Rio de Janeiro RJ
Última Hora - 1973/1974 - Rio de Janeiro RJ
O Jornal 1977/1979 - Rio de Janeiro RJ
Revista Veja - 1986 - Rio de Janeiro RJ
Tribuna da Imprensa - 1997/1998 - Rio de Janeiro RJ
Colaborador em O Globo, Jornal do Brasil e Revista Bravo


+ Trabalhos Como Diretor de Teatro
1959 - Rio de Janeiro RJ - Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906-1989)
1962 - Salvador BA - Major Barbara, de Bernard Shaw
1963 - Salvador BA - Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto
1967 - Rio de Janeiro RJ - O Labirinto, de Fernando Arrabal
1976 - Rio de Janeiro RJ - A História do Zoológico, de Edward Albee (1928)
1983 - Rio de Janeiro RJ - Réquiem para uma Negra, de William Faulkner
1985 - Rio de Janeiro RJ - Flávia, Cabeça, Tronco e Membro, de Millôr Fernandes (1924)
1992 - Rio de Janeiro RJ - Brida, de Paulo Coelho
1993 - Rio de Janeiro RJ - Esquina dos Prazeres, de Alexandre Camarate
1994 - Porto Alegre RS - Dueto, com Paulo Autran (1922) e Tônia Carreiro
1995 - Rio de Janeiro RJ - Fantoches, de Érico Veríssimo
1996 - Rio de Janeiro RJ - Jango, uma Tragédia, de Glauber Rocha
1997 - Rio de Janeiro RJ - Os Candidatos, de Dejair Cardoso; Geração Beat, de vários autores
1998 - Rio de Janeiro RJ - Vida, Paixão e Banana do Tropicalismo, de Torquarto Neto e Capinam
1998 - Rio de Janeiro RJ - Tropicália 1968/1998, de Capinam e Torquato Neto
1999 - Rio de Janeiro RJ - Alucinações na Madrugada, de Luiz Henriques Neto


+ Livros Publicados
1960 - Porto Alegre RS - Samuel Beckett e a Solidão Humana - IEL
1967 - Rio de Janeiro RJ - Sartre, Vida e Obra - Paz e Terra
1972 - Rio de Janeiro RJ - Nova Consciência - Eldorado
1975 - São Paulo SP - A Morte Organizada - Global
1978 - Rio de Janeiro RJ - Negócio Seguinte - Codecri
1987 - Porto Alegre RS - Anos 60 - Porto Alegre, LPM
1995 - Rio de Janeiro RJ - Eles e Eu. Memórias de Ronaldo Bôscoli (com Ângela Chaves). Nova Fronteira
1996 - Rio de Janeiro RJ - Geração em Transe - Nova Fronteira
2000 - Rio de Janeiro RJ - As Quatro Estações - Record


+ Baseado em Pesquisas Internet:
Itau Cultural:
Rock Informação:
Wikipedia

 
 

Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria e propriedade de Luiz Carlos "Barata" Cichetto e são registrados na Biblioteca Nacional. Não são permitidas cópia e publicação deste conteúdo em nenhum outro meio de comunicação sem a expressa autorização do autor, bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade - Direitos Reservados.
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