|
|
A Aeronave
Augusto dos Anjos |
Cindindo a vastidão do Azul profundo, Sulcando o espaço, devassando a terra, A aeronave que um mistério encerra Vai pelo espaço acompanhando o mundo.
E na esteira sem fim da azúlea esfera Ei-la embalada n’amplidão dos ares, Fitando o abismo sepulcral dos mares, Vencendo o azul que ante si s’erguera.
Voa, se eleva em busca do infinito, É como um despertar de estranho mito, Auroreando a humana consciência.
Cheia da luz do cintilar de um astro, Deixa ver na fulgência do seu rastro A trajetória augusta da Ciência. |
|