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Eu não finjo que não sinto ódio. E meu ódio maior é aos fanáticos de todos os tipos, que roubam a beleza, a pureza e a incerteza de todas as coisas. Eu não finjo que não sinto ódio por fanáticos que, por sua natureza, transformam em ódio todas as formas de não se sentir ódio.

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal, do ano da Graça do nascimento de Madonna, Michael Jackson, Bruce Dickinson, Cazuza e Tim Burton é poeta, escritor, produtor e apresentador de Webradio, produtor de eventos; e procura pagar as contas trabalhando com criação de sites. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Pink Floyd e Led Zeppelin e escrevendo poemas. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos, deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário, projetista de brinquedos e analista de qualidade. No final do século XX, acordou certo dia de sonhos intranquilos e, transformado em um ser kafkiano, criou um projeto cultural na Internet nos moldes dos antigos panfletos mimeográficos. Mesmo antes de seu processo de metamorfose, Barata nunca deixou de cometer poemas, contos e crônicas. E embora tenha passado dos três dígitos o numero de textos escritos, nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Varda de Perdidos no Espaço, Janis Joplin, Grace Slick e Sonja Kristina; casou quatro vezes e tem dois filhos do primeiro casamento. Atualmente é também costureiro e colador de livros, num projeto de editora artesanal.

 

/barata.cichetto
ANATOMIA ANÁTEMA
Barata Cichetto

(Diante da ilustração "Anatomia Del Corpo Humano" de Juan Valverde de Amusco, 1560)

Não, não sinta na própria pele aquilo que lhe digo. Apenas tolos e poetas sentem apenas na pele. O que se fala. A pele cala a verdade. Arranque a própria pele. Escarifique-se. Escarnifique-se. A real nudez é a do esqueleto. Sinta o que eu digo. Na carne viva. E nua. De fato. No ato. Dou-lhe apenas a faca. A coragem é sua. Os motivos lhe pertencem. É a sua mão que tem que segurar a faca. Cortar. Arrancar. Retire essa pele que lhe serve de máscara. De proteção. De conforto. Arranque essa pele que lhe cobre com a vergonha da vaidade. Retire totalmente essa maquiagem que lhe cobre o rosto. Deixe nu seu esqueleto. Pele é roupa velha. Enrugada. Amarelada. Rasgada. Não sinta na pele. Não sinta a pele. Despele-se. Dispa-se. Retire-a centímetro a centímetro. Sem piedade. Sem medo. Fique livre dessa roupa inútil. Que tem cor. Que tem forma. Que tem vergonha do esqueleto que cobre. Que esconde o que lhe sustenta. Não sinta na própria pele a dor. Sua pele é sua mentira. E em breve estará podre. Desaparecerá devorada por vermes. Ou por cinzas. A pele é sua maldição. Sua ilusão. Sua fraude como ser. Sua casca frágil. Seu disfarce de humano. Camadas de podridão fedorenta. Anjos não tem pele. Demônios não tem pele. O Bem e o Mal não tem pele. Dispa-se de toda pele que lhe cobre de desejo. Da pele que lhes cobra o ensejo. Da pele que lhe cobra o preço. Mostre sua real anatomia. Sua real autonomia. Seu verdadeiro poder. Seu verdadeiro amor. Sem pele. Não sinta na pele o que lhe conto. Sinta nos ossos. Nos músculos. No sangue. Livre-se da falsa realidade. Da farsa da liberdade. Que há na pele. Da imoralidade. Sobre a pele. Liberte-se da mentira. Da falsidade da linguagem cutânea. Da imagem instantânea. É tudo uma questão de pele. Não de cor. Não de altura. Sem pele sem cor. Sem cor sem dor. Não apele. À sensibilidade da pele. À estética. Ou à ética. A estética esquelética. Arquétipa. Sua pele é sua ditadura. Pessoal. E intransferível. Ditadura e tortura. Blasfêmia injusta contra deuses sem pele. Deuses não tem pele. Anátema. Não há arte na pele. Apenas cor e aparência. A arte está no esqueleto. No tutano. Não há beleza real na pele. A beleza está nos ossos. Nas tripas. Nas veias. Rejeite sua pele. Rejeite a qualquer ideologia que está à flor da pele. Pele é ideologia. Teologia. Viva a escatologia. Sem pele. Se jogue na ideologia única do esqueleto. Na religião monoteísta dos músculos. Pele é casca. Ferida extensa. Intensa. Densa. Imensa. Liber. Embaixo da casca tem a polpa. Livro de liber. Então liber-te-se. Publique livros. E faça a capa com sua própria pele. Encadernação com couro. Gravada a ouro. Um livro de poesia. Livre-se. Da poesia da pele. Segure a lâmina com firmeza. Livre-se da tristeza. Que há na pele. Não há felicidade sobre a pele. Apenas maldade. E saudades. Que causa dor. E mágoa. Debaixo da pele há uma cidade. Um porto. Um navio. Um mundo. Um universo. "Universo no teu corpo". Universo debaixo da tua pele. Apele. Livre-se desse órgão inútil. Fútil. Derme e epiderme. Casa de verme. Arranque. Sem dó. Nem piedade. Com a crueldade de uma criança. Encare a nudez. Esqueleto nu de frente ao espelho. Veja seu sangue vermelho. Há deuses sob a pele. Erga a faca. Feito espada. E corte fora o istmo do prazer falso. Do desconforto do ser. A inutilidade do prazer. Escalpele-se. Não peça desculpas à pele. Culpas são coisas de pele. Que repele. Que expele. A dor do íntimo. Ínfimo. Deixe que a pele apodreça sozinha. Na sua miserabilidade infalível. Órgão sensorial insensível. Às dores reais. Livre-se desse objeto pornográfico. Objeto abjeto. Pele é cútis e o cu é pele. Livre-se de seu órgão mais pesado. Peso morto. Deixe expostos seus interiores. Exponha seu coração. Fígados. Pulmões. Rins. Cérebro sem pele nem pelos. As veias abertas. Veja como lhes corre a sangue pelo corpo. Intestinos trafegando merda. Comida transformada em merda. Transforme-se!!! À faca que te empresto. Deixe expostas. Suas feridas. Queridas. Devidas. Viva! Em carne viva!
01/11/2017
(Texto Revisado em 18/11/2018)

31/3/2018

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E um dia... Quando todas as formas de vida entrarem em "hibernação de sobrevivência" a Barata, incólume estará no seu simples ato de ser, sendo o que sabe ser, uma sobrevivente. Barata Cichetto, desde agora eu aplaudo sua resistência e determinação. Me curvo à sua força e talento, e deixo todo meu carinho.
Joanna Franko - Ser Humano - Planeta Terra

A história de A Barata, Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade foi escrita nos últimos 21 anos por centenas, talvez milhares, de participantes, direta ou indiretamente; e um número incalculável de usuários que desfrutaram de poesia, prosa, arte, música. Pessoas que compareceram a eventos, compraram camisetas, livros, e especialmente publicaram seus trabalhos artísticos neste endereço. A história foi escrita por todos esses, e agora é contada por seu criador, em relatos diários, publicados on time, entre 1º e 24 de Setembro de 2018. Leia e deixe seus comentários.
Barata Cichetto, Araraquara, SP, 01/09/2018

 

 

2018 - Sessenta Anos de Sacanagem. O Som e a Fúria; Barata Não Mora Mais Aqui. Mora Com o Sol. Deixem a Esquerda Livre. O Fim da Saga d'A Barata Rebelde. O Fim ou Começo?

Ao completar sessenta anos de idade, tudo o que podia ser chorado já foi chorado, como vovó dizia e Raul afirmava plenamente. O trem do futuro leva a Araraquara. Macunaíma, os irmãos Martinez, e a cidade das árvores. O futuro não pertence ao pensamento. Informação demais é pior que nenhuma.

RÁDIO COMUNITÁRIA DE AMÉRICO BRASILIENSE
Rádio Maranathá FM 104,9 - Meire Severino

Rádio Comunitária de Américo Brasiliense

Na manhã do dia 29 de Outubro, estivemos, eu e o amigo poeta João Aparecido Barrá, na Rádio Maranathá FM 104,9 de Américo Brasiliense, cidade vizinha de Araraquara, participando como entrevistados no programa da Meire Severino. No programa falamos sobre o momento político atual, e, claro, poesia. Na ocasião, li meu inédito poema, uma declaração de amor á cidade de Araraquara. Agradeço à Meire e ao amigo Barrá pela oportunidade.

A SOLIDÃO É UMA RATAZANA CINZENTA

Genecy Souza - Leitor

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Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, e foram registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor, bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade". Lei de Direitos Autorais: 9610/98.

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